Blog da Cintia Cercato http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Fri, 13 Sep 2019 07:00:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Saiba por que não é uma boa ideia usar hormônios da tireoide para emagrecer http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/saiba-por-que-nao-e-uma-boa-ideia-usar-hormonios-da-tireoide-para-emagrecer/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/saiba-por-que-nao-e-uma-boa-ideia-usar-hormonios-da-tireoide-para-emagrecer/#respond Fri, 13 Sep 2019 07:00:53 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=735

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A tireoide é uma glândula situada no pescoço responsável pela produção dos hormônios tireoidianos T3 e T4. Já falei aqui no blog sobre o hipotireoidismo, que se caracteriza pela deficiência da produção dos hormônios que é um dos problemas mais comuns no funcionamento dessa glândula. No entanto existe também uma situação em que há um aumento da produção e liberação de hormônios que é conhecida como hipertireoidismo.

Os principais sintomas dessa condição são o nervosismo, taquicardia, sudorese excessiva, intolerância ao calor e perda de peso. Essa perda de peso acontece apesar da pessoa frequentemente apresentar também maior apetite. Isso ocorre pois o gasto energético chega a aumentar mais de 60% em pessoas com hipertireoidismo. Mas antes de achar que é bom ter a tireoide funcionando de forma acelerada é importante ressaltar que além de ficar com o humor alterado e poder ter arritmia cardíaca a perda de peso em massa magra e massa óssea é bem significativa. Infelizmente em nosso meio ainda existe um uso abusivo e perigoso de hormônios de tireoide com o objetivo de emagrecimento. Nenhuma sociedade médica nacional ou internacional indica o uso desses hormônios para perda de peso. Seu uso só é recomendado em caso de deficiência comprovada da produção dos hormônios.

Mas existem doenças que podem acometer a tireoide, fazendo com que a glândula trabalhe excessivamente. A causa mais comum de hipertireoidismo é a Doença de Graves. Sua incidência é de 20 a 50 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo que as mulheres são seis vezes mais acometidas que os homens. Existe uma grande influência genética e metade das pessoas com doença de graves tem história de problemas de tireoide na família. Fatores ambientais como o hábito de fumar, altos níveis de estresse e a quantidade de iodo da dieta também tem um papel no desenvolvimento do problema. A doença de Graves é uma doença auto-imune em que existe a produção de um anticorpo que estimula a tireoide. Pessoas com a doença de graves tem mais chance de ter outras doenças auto-imunes associadas. Existem outras causas de hipertireoidismo como nódulos que produzem o excesso de hormônio. Essa é uma situação vista em pessoas com mais idade.

Na presença de sintomas como nervosismo, calor excessivo, perda de peso, palpitações aumento do funcionamento do intestino, insônia procure o médico. O diagnóstico do hipertireoidismo é feito com a avaliação clínica aliada a dosagem dos hormônios no sangue. A depender da causa, o tratamento poderá ser feito com medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia.

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Cirurgia bariátrica está associada a maior risco de suicídio? http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/09/06/cirurgia-bariatrica-esta-associada-a-maior-risco-de-suicidio/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/09/06/cirurgia-bariatrica-esta-associada-a-maior-risco-de-suicidio/#respond Fri, 06 Sep 2019 07:00:11 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=727

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A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para perda sustentada de peso em pacientes com obesidade grave. Está indicada para pessoas que não tiveram resposta ao tratamento clinico e apresentam IMC acima de 40 kg/m2 independente de doenças associadas ou para aquelas pessoas com IMC acima de 35 kg/m2 que apresentam doenças causadas ou agravadas pelo excesso de peso, como diabetes, pressão alta, apneia do sono, entre outras. Muitos estudos já comprovaram o benefício da cirurgia na redução de complicações associadas  à obesidade, como infarto do miocárdio, derrame e, diabetes mellitus. Um dos estudos mais importantes em cirurgia bariátrica demonstrou uma redução de 24% na mortalidade geral nos pacientes operados em relação aos não operados.

Além do benefício clínico, muitos aspectos relacionados a saúde mental melhoram após a cirurgia bariátrica. No entanto, existe uma proporção de pacientes que apresenta o retorno dos sintomas depressivos após algum tempo e outro grupo que não apresenta qualquer benefício psicológico.

Algumas pesquisas indicam que a população que busca tratamento cirúrgico já é uma população mais vulnerável a problemas psíquicos. Entre aqueles que buscam a cirurgia, existe uma maior proporção de pessoas com diagnóstico de depressão e ansiedade que a população geral. Além disso os  sintomas depressivos podem ser piorados pela presença de comorbidades médicas e pela ocorrência de complicações pós-cirúrgicas.

Um estudo publicado este ano na revista Obesity Surgery buscou avaliar a taxa de mortalidade por suicídio em pessoas operadas  ou se ocorre aumento de  tentativas de suicídio ou auto-agressão após a cirurgia bariátrica. Para isso, os pesquisadores revisaram extensamente a literatura médica sobre o assunto e selecionaram 32 estudos que abrangiam um total de mais de 148.000 pessoas.  Os pesquisadores encontraram que a taxa de suicídio após a cirurgia foi de 2,7 casos a cada 1000 pacientes enquanto que a taxa de tentativas de suicídio ou auto-agressão foi de 17 casos para cada 1000 pacientes. Houve um risco quase duas vezes maior de tentativa de suicídio ou auto-agressão quando comparada a população com ela mesma antes da cirurgia e um risco 3,8 vezes maior quando comparado com uma população pareada por sexo, idade e IMC.  Algumas hipóteses para explicar esse resultado incluem o aumento de abuso de álcool e pior absorção de antidepressivos após a cirurgia, bem como o fato de tratar-se de população mais vulnerável a problemas psíquicos.

As diretrizes atuais recomendam que seja realizada uma avaliação psicológica/psiquiátrica com um avaliador qualificado para determinar aspectos psicossociais, cognitivos, de personalidade, e aspectos de apoio social no pré-operatório. É importante ressaltar que a cirurgia bariátrica não é contra-indicada para pessoas com problemas psiquiátricos estáveis ou em uso de medicações psicotrópicas, sendo muito importante o acompanhamento especializado nessas situações para reduzir o risco de complicações.

Não há dúvidas dos benefícios clínicos que a cirurgia pode trazer, mas o acompanhamento contínuo no pós-operatório é fundamental para que os riscos sejam minimizados.

Referência bibliográfica: Castaneda D, Popov VB, Wander P, Thompson CC. Risk of Suicide and Self-harm Is Increased After Bariatric Surgery-a Systematic Review and Meta-analysis. Obes Surg. 2019 Jan;29(1):322-333.

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Os hábitos alimentares que ajudam a reduzir o risco de pedras nos rins http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/30/os-habitos-alimentares-que-podem-reduzir-o-risco-de-pedras-nos-rins/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/30/os-habitos-alimentares-que-podem-reduzir-o-risco-de-pedras-nos-rins/#respond Fri, 30 Aug 2019 07:00:26 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=720

Reduzir o consumo de sal ajuda a reduzir o risco de ter pedras nos rins | Crédito: iStock

Quem já teve concorda. Uma crise de pedra nos rins não é brincadeira. Uma em cada 11 pessoas forma um cálculo em algum momento da vida. Mais da metade daqueles que tiveram uma crise vão ter novamente outra no prazo de 5 a 10 anos. O pior é que levantamentos populacionais mostram que esse é um problema que vem crescendo nas últimas décadas.

Existem alguns fatores que tornam uma pessoa mais susceptível a desenvolver cálculos nos rins do que outras. E talvez aí esteja a explicação para o crescimento desse problema ao longo dos anos. Uma condição bastante associada é a obesidade, grande epidemia do século, mas também existem outros problemas implicados no maior risco de formar pedras nos rins.  Hipertireoidismo, problemas nas paratireoides, gota, síndrome de má absorção intestinal e uso de certos medicamentos podem favorecer a formação desses indesejáveis cálculos.

Certos hábitos alimentares também podem piorar a situação. Tomar pouca água, comer muita carne, comer poucas frutas e verduras e abusar no sal acabam favorecendo o problema.

Assim, uma recomendação universal para prevenir cálculos renais é manter um alto consumo de líquidos. Uma pesquisa com quase duzentos participantes que apresentavam crises renais de repetição avaliou justamente o efeito dessa orientação no risco de ter novas crises. Um grupo foi orientado a aumentar o consumo de líquidos para produzir um volume de urina de pelo menos 2 litros por dia e o outro grupo recebeu apenas orientações gerais. Ao final de cinco anos de acompanhamento a taxa de recorrência de crises do grupo que ingeria mais liquido e acabava urinando mais foi de 12% ao passo que, no outro grupo, as novas crises ocorreram em 27% dos participantes. Mas é importante ressaltar que nem todos os líquidos conferem os mesmos benefícios. Pelo menos três pesquisas grandes indicaram que o alto consumo de bebidas açucaradas aumenta a chance de formação de cálculos. Então, o melhor a fazer é beber água.

O elevado consumo de sódio aumenta a excreção de cálcio na urina. Algumas pesquisas indicam que restringir o sal da dieta pode reduzir a chance de novas crises. O abuso de sal é um problema em nosso meio. A recomendação da organização mundial de saúde é manter um consumo em torno de 2 g de sódio ou 5 gramas de sal por dia, mas infelizmente o brasileiro anda consumindo 12 g de sal por dia! Boa parte desse excesso de sal vem de alimentos ultraprocessados, então fique sempre atento ao rótulo. Usar mais ervas e especiarias e reduzir o sal no preparo dos alimentos de casa também é uma boa estratégia.

Reduzir carne, mesmo as carnes brancas,  também pode ser útil em alguns casos, pois o consumo excessivo pode reduzir o pH da urina e aumentar a excreção de cálcio e de ácido úrico.

Se você sofre com esse problema, não deixe de perguntar ao profissional de saúde que lhe atende quais hábitos alimentares devem ser adotados no seu caso.

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Quais cuidados é preciso tomar na gravidez após uma cirurgia bariátrica http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/23/quais-cuidados-e-preciso-tomar-na-gravidez-apos-uma-cirurgia-bariatrica/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/23/quais-cuidados-e-preciso-tomar-na-gravidez-apos-uma-cirurgia-bariatrica/#respond Fri, 23 Aug 2019 07:00:57 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=712

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Cuidar do peso é muito importante para aquelas mulheres que pretendem engravidar. A obesidade durante a gestação traz consigo uma maior chance de complicações como o diabetes gestacional, pressão alta e eclampsia, por isso, o ideal é que o controle do peso aconteça bem antes da gravidez.

A cirurgia bariátrica é um tratamento reconhecido para pessoas com obesidade grave e estatísticas mostram que mais da metade dos procedimentos cirúrgicos são realizados em mulheres em idade fértil. Logo após a cirurgia existe a recomendação de se evitar uma gestação até que a perda de peso se estabilize e isso costuma acontecer após 12 a 18 meses. É importante lembrar que após a cirurgia ocorre um aumento da fertilidade e as mulheres devem conversar com seus médicos sobre anticoncepção, uma vez que alguns métodos utilizados para evitar a gravidez podem ter sua eficácia comprometida pelo procedimento cirúrgico.

Muitas mulheres perguntam se é seguro engravidar após a realização da cirurgia bariátrica. As pesquisas indicam que após o período recomendado existem benefícios com o a perda de peso induzida pelo procedimento. Muitos estudos demonstraram uma chance bem menor de desenvolver diabetes gestacional, bem como hipertensão e eclampsia. Por outro lado, as mulheres que fazem cirurgia bariátrica podem ter deficiências de vitaminas e minerais que podem ter impacto na saúde fetal. Por exemplo, deficiências de folato podem favorecer defeitos congênitos de tubo neural. Uma nutrição materna inadequada pode favorecer um menor desenvolvimento fetal, além de maior risco de parto prematuro, o que impacta diretamente na saúde do bebê ao nascer.

Assim é fundamental que mulheres que pretendem engravidar após a cirurgia realizem uma avaliação detalhada do estado nutricional pelo menos três meses antes da gestação, para que as principais vitaminas e minerais sejam adequadamente repostos. Durante a gravidez, as mulheres precisam acompanhar como estão os níveis de alguns micronutrientes. Outro ponto importante é como está a taxa de ganho de peso da mãe, bem como o crescimento fetal. Em alguns casos pode ser necessário o uso de suplementos nutricionais ou mesmo uma nutrição mais ativa, particularmente nas mães que têm muito enjoo e não conseguem se alimentar adequadamente.

Em relação a amamentação existem poucas pesquisas, mas não parece existir um comprometimento da qualidade do leite materno após a cirurgia e as mulheres devem ser estimuladas a amamentar seus filhos. No entanto, a suplementação de vitaminas nessa fase deve ser também intensificada.

Assim, para uma gestação segura após a cirurgia bariátrica, é preciso planejar o melhor momento, fazer uma análise detalhada do estado nutricional da mãe, realizar a reposição de vitaminas e minerais e avaliar o crescimento do feto. Estar próxima a equipe de saúde é fundamental.

Referência bibliográfica:
– Pregnancy after bariatric surgery: Consensus recommendations for periconception, antenatal and postnatal care. Obes Rev. 2019 Aug 16.
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Emagreceu? Veja como ter uma balança em casa ajuda você a não engordar http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/emagreceu-veja-como-ter-uma-balanca-em-casa-ajuda-voce-a-nao-engordar/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/emagreceu-veja-como-ter-uma-balanca-em-casa-ajuda-voce-a-nao-engordar/#respond Fri, 16 Aug 2019 07:00:17 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=703

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Um dos maiores desafios no tratamento da obesidade é a manutenção do peso perdido em longo prazo. Isso porque após  perder aqueles quilos indesejáveis, o corpo sofre uma série de adaptações que lutam contra esse bom resultado. Já existem diversos estudos que mostram que ocorre aumento da fome e da vontade de comer, uma queda impressionante do metabolismo e uma menor utilização dos estoques de gordura. Tudo isso torna o emagrecimento um processo difícil de ser mantido.

Um grupo de pesquisadores americanos tem acompanhando diversas pessoas que perderam uma boa quantidade de peso e eles tentaram observar quais atitudes e hábitos foram associados a um maior sucesso da manutenção do peso perdido ao longo de anos.

O hábito de se pesar foi um dos comportamentos mais adotados por aqueles que tiveram sucesso. Essa atitude pode permitir que a pessoa conheça situações especificas ou padrões alimentares ou mesmo hábitos de exercício que estão relacionados com mudanças de peso. Assim, a balança pode ser muito útil no processo de manutenção do peso.

É importante ressaltar que o peso reflete não apenas os estoques de gordura, mas também a quantidade de massa muscular e a quantidade de água no corpo. Grandes variações de peso podem acontecer num mesmo dia ou mesmo num período curto de tempo por conta de mudanças do grau de hidratação ou mesmo por retenção de líquido. Algumas situações vão influenciar o peso sem necessariamente representar um ganho de gordura. No período pré-menstrual, por exemplo, é muito comum que algumas mulheres fiquem mais inchadas por conta da variação hormonal. Após essa fase o peso costuma voltar ao normal. Outras situações, como alto consumo de sal ou bebidas alcoólicas, também fazem com que o número na balança suba muito rapidamente. Mas retornando à alimentação adequada, o peso volta para seu patamar habitual em poucos dias.

Mas pessoas que passaram por um processo de emagrecimento devem encarar a balança como aliada na luta pela manutenção do peso.  Na pesquisa que acompanhou as pessoas após  terem perdido bastante peso foi observado que aquelas que se pesavam com frequência tiveram mais chance de manter o peso ou reganhar muito pouco do peso perdido ao longo de vários anos. Por outro lado, os participantes que diminuíram o hábito de se pesar tiveram mais chance de recuperar os quilos antes perdidos.

Obviamente o comportamento de se pesar não deve ser exagerado. Existem pessoas que se pesam várias vezes durante um mesmo dia e até levam balanças em viagens. Isso pode representar indícios de outros transtornos e deve ser avaliado com cuidado.

O adequado é que pessoas em fase de manutenção do processo de emagrecimento se pesem uma vez por semana, preferencialmente pela manhã e num mesmo dia da semana, em condições semelhantes. Uma boa estratégia é estabelecer um “peso alerta” – em torno de 2 kg acima do peso mínimo atingido.  Assim, caso esses poucos quilos sejam recuperados, algumas atitudes podem ser seguidas com o objetivo de não reganhar tudo novamente, como reavaliar a dieta, o grau de atividade física, ou mesmo voltar ao profissional de saúde que ajudou no processo de emagrecimento.

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Consumo de vinho tinto reduz o risco de fratura de quadril em mulheres http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/09/consumo-de-vinho-tinto-reduz-o-risco-de-fratura-de-quadril-em-mulheres/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/09/consumo-de-vinho-tinto-reduz-o-risco-de-fratura-de-quadril-em-mulheres/#respond Fri, 09 Aug 2019 07:00:19 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=696

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Você sabia que a ingestão alcoólica influencia a saúde óssea? Um consumo leve está associado a um aumento da massa óssea, enquanto que um consumo mais pesado está associado a uma piora da qualidade do esqueleto. Mas, afinal, o que é um consumo leve, moderado ou excessivo? Uma definição bastante aceita na comunidade cientifica é a seguinte:

  • Leve – 1 g a 10 g de álcool ao dia;
  • Moderado – 11 g a 30g por dia;
  • Pesado – mais do que 30 g de álcool por dia.

Uma pesquisa recentemente publicada avaliou a relação entre a quantidade e tipo de bebida alcoólica e a saúde óssea em uma grande população. Foi um estudo que acompanhou mais de cem mil profissionais de saúde de ambos os sexos, por meio de questionários desde 1980 até 2014.  As análises foram ajustadas para alguns possíveis fatores de confusão, como peso, consumo de cafeína, tabagismo e idade.

Entre as mulheres, durante uma média de 22 anos de acompanhamento, ocorreram 2360 fraturas de quadril. Quando analisada a relação entre o consumo alcoólico e o risco de fratura de quadril foi verificada uma redução da chance de fratura para as mulheres que consumiam até 20 g de álcool ao dia, quando comparadas com aquelas que não referiam nenhum consumo alcoólico. A redução de risco foi de 11% para aquelas que consumiam até 5 g/dia, 19% para as mulheres que consumiam entre 5 g e 10 g/dia e 17% se o consumo era de 10 g a 20 g/dia. Não houve beneficio com consumo acima de 20 g/dia.

Ao avaliar o tipo de bebida, o consumo de vinho tinto foi o que esteve associado ao maior benefício. Uma explicação possível é a presença de flavonoides que são potentes antioxidantes, reduzindo o estresse oxidativo provocado pela idade.  Além disso, os compostos fenólicos presentes no vinho parecem reduzir a atividade de células responsáveis pela reabsorção do osso. Só para ter uma ideia de consumo, a maior proteção foi vista entre aquelas mulheres que bebiam 1 taça de vinho tinto três a quatro vezes por semana. Um taça de vinho tinto contém, em média, 12,4 g de álcool.

Entre os homens ocorreram 709 fraturas de quadril durante uma média de 18 anos de acompanhamento. Houve também uma redução do risco de fratura com o consumo moderado de álcool, porém não foi encontrada uma associação clara com o tipo de bebida.

É importante salientar que os benefícios ocorreram com consumo leve a moderado e que o consumo excessivo de bebida alcoólica traz uma série de consequências ruins para a saúde. Lembre-se: se for beber, beba com moderação!

Referência bibliográfica:
Alcohol intake, specific alcoholic beverages, and risk of hip fractures in postmenopausal women and men age 50 and olderAm J Clin Nutr; 2019.
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Obesidade na infância: a prevenção começa no útero http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/02/obesidade-na-infancia-a-prevencao-comeca-no-utero/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/08/02/obesidade-na-infancia-a-prevencao-comeca-no-utero/#respond Fri, 02 Aug 2019 07:00:02 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=690

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Nas últimas décadas tem sido alarmante o aumento de obesidade entre crianças e adolescentes em todo o mundo. No Brasil entre 1975 e 2016 houve um aumento de dez vezes na prevalência de obesidade e hoje em dia 9,4% das meninas e 12,7% dos meninos estão obesos. Uma revisão bem recente avaliou diversos fatores de risco para o desenvolvimento de obesidade em crianças e muitas evidências sugerem um importante papel de fatores pré-natais, ligados ao período gestacional.

O peso corpóreo da mãe já é capaz de influenciar o futuro peso do bebê. Assim, hoje em dia consideramos a obesidade materna um importante problema de saúde pública, uma vez que está bem determinada a relação entre o peso da mãe durante a gestação e o peso do filho na infância e adolescência. As mulheres grávidas devem ser informadas sobre a importância de começar a gravidez com um IMC na faixa normal (18,5 a 24,9 kg/m2) para reduzir o risco de excesso de peso na prole. Mas os papais também precisam ficar atentos no que a balança mostra. Algumas pesquisas tem encontrado que o peso do pai durante a concepção também afeta o risco de obesidade nas crianças.

Hoje em dia sabemos também que o estilo de vida da gestante terá grande influência na saúde da criança. Mulheres que exageram na alimentação e ganham muito peso e também aquelas que,ao contrário, restringem muito a dieta e ganham pouquíssimo peso acabam favorecendo quilos extras para os filhos. Outros hábitos que sabidamente aumentam o risco de obesidade na infância são o tabagismo e o consumo de álcool durante a gestação. Esses hábitos influenciam a nutrição do feto e como defesa há maior expressão de genes acumuladores de energia. Assim, essas crianças terão mais facilidade de estocar as calorias consumidas, justamente por conta de um ambiente uterino que foi bem desfavorável.

Outro fator mais recentemente estudado é o uso de antibióticos durante a gravidez. Seu uso tem sido associado ao aumento do peso ao nascer do bebê. Além disso, exposição a antibióticos na gravidez esteve associado a um risco de 26-29% de aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade da criança em idade escolar. Acredita-se que a exposição aos antibióticos afeta a composição da flora intestinal do recém nascido, favorecendo uma menor diversidade de bactérias, favorecendo o ganho de peso. Assim, o uso de antibióticos na gestação deve ser criterioso, evitando o uso indiscriminado.
Diante de todas essas evidências fica cada vez mais claro que a prevenção da obesidade infantil começa no útero!

Referência Bibliográfica
– Larquê E et al. From conception to infancy — early risk factors for childhood obesity. Nature Reviews Endocrinology 2019 (15):456–478.
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Amêndoas e castanhas: por que essas delícias devem fazer parte da dieta http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/26/amendoas-e-castanhas-por-que-essas-delicias-devem-fazer-parte-da-dieta/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/26/amendoas-e-castanhas-por-que-essas-delicias-devem-fazer-parte-da-dieta/#respond Fri, 26 Jul 2019 07:00:13 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=683

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Os frutos oleaginosos são frutos secos cuja parede externa se torna rígida com o amadurecimento. Os mais consumidos a nível mundial são a amêndoa, avelã, castanha-do-brasil, castanha-de-caju, macadâmia e nozes. Esses frutos contém uma variedade de nutrientes e fitoquímicos e seu consumo tem sido associado a benefícios cardiovasculares.  Isso porque são boas fontes de gorduras ditas “saudáveis” – as gorduras mono e poli-insaturadas.  Além dessas gorduras “boas” elas contem uma variedade de outros componentes que tem efeito cardioprotetor como fibras, vitamina E, selênio, magnésio, potássio e beta-sitosterol.

Quatro grandes estudos populacionais mostraram uma relação inversa e de dose resposta entre consumo de oleaginosas e doença coronariana. Isso quer dizer que quanto maior o consumo, menor o risco de problemas no coração. Segundo a analise do conjunto desses estudos, existe uma redução de 37% do risco de morte por doença corornariana entre os que tinham o maior consumo, que girava em torno de 42,5 g a cada semana

Uma das oleaginosas com aumento de consumo expressivo nos Estados Unidos foi a amêndoa. Até porque a Califórnia é responsável por 70% da produção mundial desse fruto. Dados americanos indicam que o consumo per capita por ano passou de 190,5 g nos anos 80 para 1.070 g por ano em 2017. Muitos estudos americanos tem avaliado o benefício das amêndoas para saúde e mais recentemente foi publicada uma revisão sistemática sobre o seu consumo e marcadores de risco cardiovascular.

O consumo acima das 42,5 g por semana (cerca de 35 amêndoas por semana) foi associada a:

  • redução dos níveis de colesterol total
  • redução dos níveis de LDL-colesterol
  • redução de peso ( média de 1,4 kg a menos do que quem consumia pouco ou não consumia)
  • redução da glicemia de jejum

O benefício foi verificado nas pessoas que eram saudáveis mas também naquelas com elevado risco cardiovascular.

Aqui no Brasil as oleaginosas mais consumidas são as castanhas. As castanhas também são ricas em gorduras “boas”, fibras, selênio assim como as amêndoas. O consumo regular (cerca de 02 unidades por dia) também melhora os fatores de risco cardiovascular.

Vale a pena incluir na alimentação castanhas, amêndoas, nozes. Mas como esses frutos oleaginosos são uma delícia, temos que cuidar para não abusar. Apesar de fazerem muito bem para saúde do coração, são ricas em calorias. É importante consumir, mas com moderação!

Referência bibliográfica:
Almond Consumption and Risk Factors for Cardiovascular Disease: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials.  Michelle A Lee-Bravatti, Jifan Wang, Esther E Avendano, Ligaya King, Elizabeth J Johnson, and Gowri Raman. Adv Nutr 2019.
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Está sedentário? Use o celular como aliado para se tornar mais ativo http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/19/esta-sedentario-o-celular-e-um-aliado-para-voce-se-tornar-mais-ativo/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/19/esta-sedentario-o-celular-e-um-aliado-para-voce-se-tornar-mais-ativo/#respond Fri, 19 Jul 2019 07:00:32 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=677

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Atividade física regular traz uma série de benefícios para a saúde, como melhora do condicionamento cardiorrespiratório, aumento de massa óssea, redução do risco de hipertensão, depressão e vários tipos de cânceres, incluindo o de mama e o de intestino.

Infelizmente, a inatividade física está cada vez mais prevalente e representa um importante problema de saúde pública. Segundo dados publicados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), um em cada dois brasileiros não pratica atividade física suficiente. O Brasil tem níveis de inatividade maiores que Estados Unidos e Reino Unido. A solução para esse problema é bem complexa e depende de fatores individuais e coletivos, como planejamento urbano e segurança pública.

Para minimizar o problema do sedentarismo, a própria OMS lançou no ano passado uma campanha para promover atividade física: “Sejamos ativos: todos, em todos os lugares, todos os dias”. É importante esclarecer que ser ativo fisicamente não necessariamente significa que você deve ir à academia um determinado número de vezes na semana ou praticar um esporte. Você pode ser ativo no cotidiano, basta aproveitar todas as oportunidades para se movimentar mais. Usar menos escadas rolantes, estacionar o carro mais longe do trabalho, evitar elevadores para subir poucos andares.

Como o celular vai fazer você se movimentar mais?

Uma das formas de motivar e incentivar as pessoas a serem mais ativas inclui a recomendação de dar 10 mil passos por dia. Isso pode ser medido por pedômetros, mas hoje em dia até os celulares já vem com calculadores de passos ou você pode baixar aplicativos que fazem isso. Outras ferramentas bem modernas são as chamadas tecnologias wearables, cada vez mais populares.  Mas o que é isso? Tudo que envolve tecnologia e que a pessoa consiga vestir ou usar como acessório e, claro, que tenha conexão com outros aparelhos ou internet. Podem ser relógios, pulseiras, fones de ouvido que são capazes de rastrear a atividade física etc. Todos esses dispositivos ajudam a aumentar a motivação. Não importa se você vai usar um pedômetro, seu próprio celular ou uma dessas tecnologias, o que importa mesmo é se movimentar. E ao saber quantos passos você dá por dia, a tendência é que se motive e esforce para sempre tentar alcançar a meta diária. Outra boa estratégia é combinar desafios com os amigos.

Preciso mesmo dar 10 mil passos por dia?

Uma pesquisa recente que avaliou mais de dezesseis mil mulheres idosas (média de idade de 72 anos) demonstrou que caminhar 4400 passos diariamente foi associado a menor mortalidade do que caminhar 2700 passos ao dia. O benefício máximo foi atingido com cerca de 7500 passos por dia, que foi associada a 66% de redução na taxa de mortalidade! Impressionante, não?  Esses achados podem encorajar muitas pessoas sedentárias que consideram o alvo de 10.000 passos muito difícil de ser atingido. Vamos então começar a contabilizar nossos passos?

Referência Bibliográfica
– Lee IM et al. Association of Step Volume and Intensity With All-Cause Mortality in Older Women. JAMA Intern Med. 2019 May 29.

 

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Comer chocolate ajuda a fortalecer os ossos http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/12/comer-chocolate-ajuda-a-fortalecer-os-ossos/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/07/12/comer-chocolate-ajuda-a-fortalecer-os-ossos/#respond Fri, 12 Jul 2019 07:00:07 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=671

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Em o7 de julho foi comemorado o dia mundial do chocolate. Não se sabe ao certo porque esse dia foi o escolhido, mas acredita-se que há uma relação com a introdução do chocolate na Europa. Em homenagem a data, resolvi falar um pouco das novidades envolvendo o chocolate e a saúde.

Cada vez mais tem sido divulgado que o chocolate pode ser considerado um alimento funcional, com propriedades benéficas para a saúde, especialmente redução do risco cardiovascular, devido à presença de polifenóis em sua composição.

A novidade é que pesquisas recentes têm ligado o consumo de chocolate à saúde óssea. Osteoporose é uma doença degenerativa do esqueleto causada pelo desequilíbrio entre a formação óssea e a sua reabsorção, resultando em diminuição da densidade mineral óssea e aumento do risco de fraturas. Alguns nutrientes conhecidos para a saúde óssea incluem o cálcio, fósforo, vitamina D e magnésio. Existem evidências de que o consumo de flavonoides –compostos bioativos do grupo de polifenóis — podem promover saúde óssea. Adivinha onde encontramos flavonoides? No cacau. Aliás, o cacau tem o maior teor de flavonoides por peso do que outras fontes, como chás, frutas ou legumes. Pesquisas indicam que os flavonoides têm ação antioxidante, combatendo os radicais livres que são danosos aos osteoblastos –células formadoras dos ossos. E tomar o cacau em pó com leite? Uma boa oportunidade de consumir cálcio, mineral tão importante para a mineralização do esqueleto.

No entanto, os efeitos benéficos dos flavonoides presentes no chocolate podem ser superados por outros componentes que não são tão bons assim para os ossos, como o oxalato, a manteiga de cacau, o açúcar e a cafeína. Sim, o chocolate possui cafeína e ela é capaz de reduzir a absorção de cálcio, aumentar a sua excreção pela urina e diminuir a atividade dos osteoblastos, o que anularia os benefícios anteriormente citados. E quanto mais cacau, mais cafeína.

A sorte é que a quantidade de cafeína no chocolate, mesmo que com alto teor de cacau, não é tão grande assim se comparado a uma xícara de café. Assim, baseado no maior teor de flavonoides, o uso de cacau em pó sem açúcar e chocolate amargo com maior teor de cacau terão um melhor efeito em preservar a saúde óssea, mesmo contendo mais cafeína. Já o chocolate ao leite e o chocolate branco não trariam tais benefícios.

Referência Bibliográfica:
– Chocolate and chocolate constituents influence bone health and osteoporosis risk. Nutrition 2019; 65:74-84.
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