Blog da Cintia Cercato http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Fri, 14 Jun 2019 07:00:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Estresse aumenta a busca por alimentos gordurosos, apontam pesquisas http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/estresse-aumenta-a-busca-por-alimentos-gordurosos-apontam-pesquisas/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/estresse-aumenta-a-busca-por-alimentos-gordurosos-apontam-pesquisas/#respond Fri, 14 Jun 2019 07:00:39 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=636

PeopleImages/iStock

A obesidade é uma doença multifatorial. A genética tem um papel muito importante e diversos estudos já confirmaram isso, mas, com as grandes mudanças ao redor do globo, nossa rotina foi alterada e vários fatores ambientais tem sido implicados na epidemia. O estresse, por exemplo, é um sentimento que pode levar ao ganho de peso.

Pesquisas indicam que o estresse influencia o consumo alimentar — estudos em roedores e em humanos indicam que a emoção pode tanto aumentar quanto diminuir o apetite. De maneira interessante, estudos experimentais com animais em laboratório mostram que o estresse reduz o apetite, mas se o animal for exposto a alimentos palatáveis, ricos em açúcar e gordura, ele acaba comendo mais e ganhando peso. Em humanos, foi demonstrado que situações estressantes podem desencadear uma busca por alimentos prazerosos- aquilo que chamamos de “comfort food”, em português, “comida conforto”.

Isso porque quando estamos estressados, existe a elevação de um hormônio chamado CRH que além de aumentar a liberação do cortisol — hormônio responsável pela emoção — que acaba modulando a ação da dopamina numa região cerebral envolvida em prazer, chamada sistema de recompensa. A ativação desse sistema faz com que haja forte motivação para buscar alimentos saborosos. Uma pesquisa com mais de 65.000 pessoas acima de 50 anos demonstrou que aqueles que relataram altos níveis de estresse apresentavam maior ingestão de lanches ricos em gordura e maior consumo de refeições em fast foods.

Mas o estresse não afeta apenas adultos. Evidências crescentes apontam que um ambiente inadequado precocemente na vida, pode afetar a saúde muitos anos depois. Danos emocionais no início da vida, como interrupção precoce da relação mãe-filho, abuso infantil ou negligência modificam as vias de estresse e aumentam o risco de ganho de peso durante toda a vida. Uma grande pesquisa demonstrou que crianças que sofreram muitos eventos negativos na vida tinham maior probabilidade de serem obesas aos 15 anos de idade.

Atualmente existem evidências de que até mulheres grávidas que tiveram eventos estressores durante a gestação acabam reprogramando a resposta ao estresse do feto. As crianças nascidas nessas condições acabam tendo maior produção crônica de cortisol e maior chance de se tornarem obesas na infância e na idade adulta.

Assim, podemos perceber como a obesidade é uma doença multifatorial e complexa, onde a vulnerabilidade para o ganho de peso pode ocorrer tão precocemente e depender de fatores ambientais difíceis de controlar.

]]>
0
Obesidade atrapalha diagnóstico e tratamento do câncer de mama http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/obesidade-atrapalha-diagnostico-e-tratamento-do-cancer-de-mama/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/obesidade-atrapalha-diagnostico-e-tratamento-do-cancer-de-mama/#respond Fri, 07 Jun 2019 07:00:52 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=630

Crédito: iStock

A Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), baseada em fortes evidências científicas, reconhece 13 tipos de câncer associados à obesidade. O câncer de mama é um deles e é o tipo mais comum nas mulheres na pós-menopausa.

A obesidade impacta na história da doença tão precocemente como no próprio diagnóstico. Pesquisas já indicaram que mulheres com obesidade realizam menos mamografias de triagem. Uma revisão de vários trabalhos encontrou que quanto maior o peso maior a chance das mulheres não realizarem o exame. Uma das barreiras encontradas para isso foi que mulheres com excesso de peso relatam mais dor com o procedimento que aquelas com peso normal. Além disso, por conta do estigma da obesidade, essas mulheres costumam frequentar menos os serviços de saúde, o que acaba por impactar negativamente na realização dos exames de rotina.

O peso corporal ainda pode influenciar no tratamento da doença. Uma pesquisa recente com mais de sete mil mulheres descobriu que o excesso de peso foi associado a um aumento de complicações cirúrgicas, particularmente maior risco de sangramento e infecção. O estadiamento cirúrgico da doença é realizado através da pesquisa do linfonodo sentinela na axila, onde os linfonodos envolvidos na drenagem linfática da mama são removidos para determinar se o câncer de mama se espalhou para além da glândula mamária. Esse procedimento reduziu significativamente o número de mulheres que necessitaram de dissecções de linfonodos axilares, diminuindo assim a incidência de linfedema. No entanto, dados de grandes estudos indicam que as taxas de identificação de linfonodo sentinela são menores em mulheres obesas e estão associadas a uma maior falha na taxa de mapeamento.

Assim, o excesso de peso pode impactar na evolução de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mesmo em estágio inicial e potencialmente curável. Um dos fatores que pode afetar o prognóstico em mulheres obesas é o fato delas apresentarem um ambiente hormonal mais desfavorável para o câncer, como o aumento dos níveis de estrógeno e maiores níveis de fatores inflamatórios por exemplo.

A boa notícia é que recentemente muitos pesquisadores têm estudado o benefício da perda de peso e mudanças de estilo de vida em mulheres com câncer de mama. Foi bem demonstrado que a perda de peso e a restrição de calorias se associou com melhora do ambiente hormonal e metabólico.

Comparando os trabalhos em que as pacientes fizeram dieta com os que as pacientes fizeram dieta aliada à atividade física, todos os resultados favoreceram o tratamento combinado, mesmo quando a perda de peso foi semelhante.

Uma revisão de 117 estudos que incluiu mais de 200 mil pessoas que tiveram câncer demonstrou que o alto consumo de vegetais e peixes foi associado à menor mortalidade. Ter uma dieta com boa qualidade reduziu em 22% a mortalidade em relação a aquelas pessoas que tinham maus hábitos alimentares. Muitos estudos demonstraram que mulheres com câncer de mama que são mais ativas fisicamente tem 16 a 27% maior taxa de sobrevida em relação a mulheres sedentárias.

Assim, bons hábitos de vida após o diagnóstico de câncer de mama devem ser associados ao tratamento convencional uma vez que melhoram o prognóstico da doença e a qualidade de vida das mulheres.

]]>
0
Relação cintura-altura indica maior chance de doenças metabólicas na mulher http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/31/relacao-cintura-altura-indica-maior-chance-de-doencas-metabolicas-na-mulher/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/31/relacao-cintura-altura-indica-maior-chance-de-doencas-metabolicas-na-mulher/#respond Fri, 31 May 2019 07:00:34 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=625

Crédito: iStock

Diferenças entre os sexos na distribuição da gordura corporal são bem conhecidas. As mulheres têm, geralmente, maior obesidade em relação aos homens ao longo de todo o tempo de vida. No entanto, os homens muitas vezes têm mais tecido adiposo distribuído na região central ou abdominal (obesidade androide ou fenótipo “maçã”), o que acarreta um risco muito maior de problemas metabólicos como diabetes do tipo 2 , hipertensão arterial e esteatose hepática. Em contraste, as mulheres apresentam menos tecido adiposo visceral e mais tecido adiposo subcutâneo, especialmente no quadril e coxas (obesidade ginóide ou fenótipo “pera”) apresentando menos complicações metabólicas.

No entanto, em mulheres na menopausa, que têm um declínio nos níveis de estrogênio, a gordura abdominal aumenta, resultando em uma mudança no sentido de uma distribuição de gordura para a região central (androide) associada ao aumento do risco cardiovascular. Outras situações podem favorecer o aumento da gordura abdominal nas mulheres. A mais comum delas é a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das doenças endócrinas mais comuns, afetando 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. As principais características da síndrome são a irregularidade menstrual, o excesso de hormônios masculinos (andrógenos), que pode ser clínico (pele oleosa, acne, aumento de pelos) ou laboratorial (elevação de testosterona e outros hormônios masculinos) e a presença de ovários com morfologia policística ao ultrassom. As mulheres com SOP tendem a apresentar maior deposição de gordura na região abdominal, e a associação com obesidade acaba por agravar as complicações metabólicas como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.

Como saber se há excesso de gordura abdominal na mulher? Uma forma bem simples é através da medida da cintura. Vários trabalhos já demonstraram que o ideal é que mulheres mantenham a cintura abaixo dos 88 cm. Mais recentemente os pesquisadores estão valorizando uma relação entre a cintura e a altura. O ideal é que nossa cintura seja no máximo metade de nossa altura. Por exemplo, se você tem 170 cm de altura, sua cintura não deve ultrapassar os 85 cm.

Uma pesquisa realizada com 754 mulheres conseguiu validar que a relação entre cintura e altura é bastante útil para identificar maior chance de ter a síndrome dos ovários policísticos, bem como maior risco de complicações metabólicas naquelas com a síndrome. Os pesquisadores concluíram que essa medida é sensível, barata, não invasiva, simples e fácil de calcular.
Que tal avaliar se você está com medidas adequadas? Basta dividir a medida da sua cintura pela medida da sua altura. Se tiver acima da metade, é um sinal de alerta. Um bom motivo para estabelecer uma boa alimentação e atividade física. Cuide-se!

]]>
0
Obesidade no idoso: nunca é tarde para mudar os hábitos e ganhar mais saúde http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/24/obesidade-no-idoso-nunca-e-tarde-para-mudar-os-habitos-e-ganhar-mais-saude/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/24/obesidade-no-idoso-nunca-e-tarde-para-mudar-os-habitos-e-ganhar-mais-saude/#respond Fri, 24 May 2019 07:00:21 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=620

Crédito: iStock

A obesidade é uma doença crônica, com sérias repercussões clínicas e o aumento de sua prevalência ocorre em todas as faixas etárias, incluindo a população de idosos, que representa um dos segmentos de maior crescimento da população. Com o aumento de expectativa de vida e grande epidemia da obesidade fica cada vez mais comum a presença de idosos obesos.

Existe uma série de modificações da composição corporal com o envelhecimento. O aumento da idade se acompanha de aumento da proporção de gordura corporal, redução de massa muscular e óssea, além de redistribuição da gordura corporal com maior acúmulo na região abdominal. Estas alterações decorrem de modificações hormonais que acompanham o envelhecimento como redução de hormônios sexuais, IGF-1 e DHEA.

Por conta das alterações de composição corporal, uma condição que deve ser avaliada no idoso é a chamada obesidade sarcopênica, em que há o excesso de gordura abdominal associada a redução importante da massa muscular e função muscular contribuindo para o maior risco de queda e fraturas.

É muito mais comum no idoso com obesidade a perda da independência funcional, ou seja incapacidade de realizar aquelas atividades cotidianas, como sair da cama, tomar banho, vestir-se sozinho. Além da incapacidade, fragilidade e maior risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como disfunção cognitiva e demência, particularmente o Alzheimer. Estudos recentes determinaram que a obesidade em indivíduos com mais de 60 anos está fortemente associada com a diminuição de funções cognitivas como memória, por exemplo.

Apesar da obesidade no idoso estar claramente associada à fragilidade, à perda da independência funcional e à disfunção cognitiva, ainda é controverso na literatura se é seguro promover perda de peso em idosos, uma vez que a perda de massa magra poderia piorar a fragilidade. Por essa razão, o tratamento do excesso de peso em pessoas idosas deve sempre incluir exercícios de resistência muscular com o intuito de preservar e melhorar a função muscular. O principal objetivo do tratamento da obesidade no idoso é aumentar sua sobrevida livre de incapacidade e melhorar sua qualidade de vida.

Muitas pessoas acham que é uma missão impossível mudar o estilo de vida em pessoas idosas. Pensam que se a pessoa já viveu a vida toda com maus hábitos, dificilmente mudará agora que está mais velha. Isso é mito e a literatura médica mostra justamente o contrário. Pessoas idosas tem maior aderência a programas de mudança de estilo de vida que os mais jovens! Um dos maiores medos de quem envelhece é perder a independência funcional. Melhorar os hábitos alimentares e não se entregar ao sedentarismo são medidas importantes para evitar a dependência em atividades cotidianas. O importante é saber que nunca é tarde para deixar maus hábitos e ganhar mais saúde!

]]>
0
Comer também tem hora certa, principalmente para quem quer emagrecer http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/comer-tambem-tem-hora-certa-principalmente-para-quem-quer-emagrecer/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/comer-tambem-tem-hora-certa-principalmente-para-quem-quer-emagrecer/#respond Fri, 17 May 2019 07:00:21 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=618

Crédito: iStock

Você sabia que a hora de comer pode influenciar a sua saúde? Em modelos animais isso é bem claro. Roedores noturnos quando alimentados em sua fase de repouso ganham mais peso do que quando alimentados na sua fase ativa, demonstrando a importância de se respeitar o ritmo circadiano. Sim, o nosso metabolismo é controlado por um relógio biológico que determina períodos do dia em que gastamos mais ou menos energia e esse relógio está diretamente relacionado com o ciclo claro e escuro determinado pela luz solar.

Pesquisas indicam que alterações no relógio biológico, como modificar o horário da refeição principal, pode influenciar o grau de perda de peso durante um tratamento para emagrecer. Na Espanha, por exemplo, o almoço é a principal refeição. E pesquisadores espanhóis demonstraram que pessoas em dieta para perda de peso que almoçavam antes das 15h emagreceram mais do que aquelas que faziam a refeição principal após esse horário, mesmo sem existir diferença na quantidade de calorias consumidas entre os grupos. Esses mesmos pesquisadores observaram que o horário do almoço influenciou inclusive no sucesso da cirurgia bariátrica, que foi bem maior naquelas pessoas que tinham o hábito de almoçar antes das 15h.

Nessa mesma linha, pesquisadores da Universidade da Califórnia observaram o padrão de consumo alimentar em três diferentes períodos do dia: matinal (entre 00:00h até 11h da manhã); meio do dia (11:00-17h) e a noturno (17:00 até meia noite). Aqueles participantes que comiam mais de 33% das calorias no período noturno tinham duas vezes mais chance de ter excesso de peso ou obesidade.

Um estudo realizado em Israel comparou a perda de peso quando a maior parte das calorias era consumida durante o café da manhã ou durante o jantar. Todas as participantes receberam a orientação de uma dieta com 1400 Kcal, sendo que um grupo deveria comer 700 Kcal no café, 500 Kcal no almoço e 200 Kcal no jantar. Já o outro grupo comeria 200 Kcal no café, 500 Kcal no almoço e 700 Kcal no jantar por 12 semanas. Adivinha quem emagreceu mais? O grupo que comia mais pela manhã e menos durante a noite.

Existe uma explicação para isso? Sim, o relógio biológico determina como funciona o nosso metabolismo. Quando comemos existe um aumento do gasto energético por conta dos processos de digestão, absorção e utilização dos nutrientes. Esse efeito é chamado de termogênese induzida pela dieta ou efeito térmico do alimento e corresponde a cerca de 10% do gasto de calorias que acontece em 24h.

Um grupo de pesquisadores mediu a termogênese induzida pela dieta em participantes que receberam exatamente a mesma alimentação pela manhã e à noite. e conseguiram demonstrar que existe uma diminuição de 44% no efeito térmico alimentar durante a noite. Isso quer dizer que nosso organismo lida melhor com as calorias ingeridas pela manhã.

Mas tem tanta gente pulando o café da manhã para emagrecer. Como explicar? Existem pessoas que não fazem muita questão de comer pela manhã e acabam consumindo bem menos calorias ao longo do dia ao omitir a refeição matinal. Elas emagrecem, pois comem menos e não porque o corpo trabalha melhor as calorias nos outros horários. Mas se considerarmos nosso relógio biológico, é mais fisiológico ter o café da manhã de rei, como diz aquele antigo ditado.

]]>
0
Como o estrógeno e o ciclo menstrual interferem na sua alimentação http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/10/como-o-estrogeno-e-o-ciclo-menstrual-interferem-na-sua-alimentacao/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/10/como-o-estrogeno-e-o-ciclo-menstrual-interferem-na-sua-alimentacao/#respond Fri, 10 May 2019 07:00:32 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=611

Crédito: iStock

O ciclo menstrual é um fenômeno biológico que possui um caráter cíclico, que dura, em média 28 dias, e pode ser dividido em fase folicular e lútea. Na primeira fase- a chamada fase folicular- ocorre o aumento dos níveis de estrógeno, que atinge um pico no período pré-ovulatório. Na segunda fase do ciclo, chamada de fase lútea, há o predomínio da progesterona.

Você já reparou que o seu consumo alimentar varia ao longo do mês de acordo com a fase do seu ciclo menstrual?  Isso tem tudo a ver com a variação hormonal em cada fase. O estrógeno tem um papel em reduzir o consumo alimentar. Já foi bem demonstrado que ele atua no nosso cérebro nas áreas envolvidas na regulação do apetite e tem um efeito de diminuir a fome. Uma pesquisa com mulheres com ciclos menstruais regulares avaliou a quantidade de calorias consumidas nas diferentes fases do ciclo. Os pesquisadores encontraram que na fase pré-ovulatória, aquela em que os níveis estrogênicos estão no seu máximo, existe uma redução do consumo alimentar da ordem de 200 a 300 calorias! Foi observado que não há mudança da frequência de refeições, mas sim da quantidade de alimento por refeição. Isso significa dizer que as mulheres se sentem mais saciadas nessa fase.

Além disso, no período antes da ovulação ocorre uma redução da vontade de comer doces. Foi realizada uma pesquisa com universitárias onde a cada semana do ciclo menstrual elas precisavam dar uma nota de 1 a 5 para a vontade de comer um determinado alimento. Elas levavam 15 fotos de alimentos de baixas calorias, como fotos de frutas, verduras, legumes, peixe, e mais 15 fotos de alimentos densamente calóricos, como doces, tortas, pizza, hambúrguer. Em todas as fases, as notas da vontade de comer os alimentos mais calóricos foi maior, exceto na fase correspondente a pré-ovulátoria, em que o desejo pelos alimentos calóricos obteve escores bem mais baixos que nas outras fases, e semelhantes aos alimentos de baixa caloria. Ou seja, as mulheres na fase pré-ovulatória além de comerem refeições menores, modificam a preferência alimentar, sentindo menos vontade dos alimentos densamente calóricos.

Já na fase pré-menstrual, quando os níveis de progesterona estão mais altos existe um maior consumo de calorias e ocorre maior busca por alimentos mais ricos em açúcar e gordura. O mecanismo pelo qual a progesterona afeta o apetite não é bem esclarecido. Acredita-se que a redução dos níveis de estrógeno nessa fase pode ter um papel mais importante, reduzindo a ação da serotonina, hormônio tão importante na regulação do humor. Isso talvez explique não só a mudança no comportamento alimentar como também alterações de humor nesse período que antecede a menstruação.

]]>
0
O tamanho do prato faz mesmo você comer mais? http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/03/o-tamanho-do-prato-faz-mesmo-voce-comer-mais/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/05/03/o-tamanho-do-prato-faz-mesmo-voce-comer-mais/#respond Fri, 03 May 2019 07:00:59 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=603

Crédito: iStock

Você já reparou que restaurantes de comida  por quilo oferecerem pratos bem grandes? Pode acreditar que não é ao acaso. O simples tamanho do prato pode, sim, determinar o quanto comemos.

A regulação do apetite é bastante complexa e depende de vários fatores, e não apenas dos sinais de fome que o nosso corpo envia para o cérebro. Se o prato é muito grande, acabamos por completar mais o prato e, portanto, a porção que nos servimos é bem maior e acabamos exagerando nas calorias consumidas.

Um estudo australiano investigou o tamanho dos pratos e tamanho das porções e, utilizando modelos matemáticos, os pesquisadores concluíram que o tamanho do prato afetou as calorias disponíveis em uma refeição. Assim, os cientistas sugeriram que comer em pratos menores poderia ser uma estratégia útil para ajudar as pessoas a comer menos e prevenir o ganho de peso.

No entanto, é importante ressaltar que esses achados não são consistentes em todos os estudos. Uma revisão sistemática considera ainda precoce a recomendação de comer em pratos pequenos como ferramenta para melhorar a saúde da população geral.

Talvez, o mais correto seja oferecer porções menores. São várias as pesquisas que demonstram que quanto maior a porção, maior é o consumo. Você acredita que até o tamanho da mordida muda?

Uma pesquisa evidenciou que, ao oferecer porções maiores, as pessoas comiam 2,4 gramas a mais do alimento a cada garfada!

Eu sempre fico impressionada com o tamanho da pipoca no cinema. Lembro-me da minha adolescência, quando era vendido um saquinho bem modesto de pipoca ao lado da bilheteria e lembro também que a maioria das pessoas ficava bem contente com aquela porção.

Hoje, quando frequento uma sala de cinema, fico chocada com o que chamam de “porção pequena” de pipoca! Fora os baldes cheios de manteiga com o apelo “refil free”: coma à vontade e repita quantas vezes quiser. E fazem o mesmo com o refrigerante…

Fica claro o quanto o contexto externo nos faz comer mais, independentemente da percepção de fome ou mesmo do prazer do consumo em si, mas talvez por achar que estamos obtendo outras vantagens.

Se eu comprar o sanduíche e pagar só um pouquinho a mais, ganho uma porção de batatas fritas grande! Obviamente o prazer que está sendo alimentado aqui não é o de comer. A percepção de “vantagem econômica” do coma mais e pague menos acaba sendo uma grande desvantagem em longo prazo, quando o peso na balança aumentar junto com complicações metabólicas.

]]>
0
Frutas fazem bem? Depende de como você as consome http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/26/frutas-fazem-bem-depende-de-como-voce-as-consome/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/26/frutas-fazem-bem-depende-de-como-voce-as-consome/#respond Fri, 26 Apr 2019 07:00:09 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=591

Crédito: iStock

Uma dieta saudável deve incluir o consumo regular de frutas. As frutas são fontes de fibras, vitaminas e antioxidantes. A maioria das pesquisas indica um efeito protetor ou neutro das frutas contra doenças crônicas,  como infarto, AVC, pressão alta, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer e até depressão.

Mas, com a vida moderna, muitos consumidores estão deixando as frutas frescas de lado e utilizando produtos de frutas, com diferentes graus de processamento, acreditando que estão mantendo no cardápio um pouquinho dos benefícios que a fruta traz. Para entender melhor, imagine que aquele bonito abacaxi pode sofrer várias transformações, como tornar-se um abacaxi seco, ou enlatado em calda, virar uma geleia, ou na forma de suco de caixinha com e sem adição de açúcar. E, obviamente, os benefícios daquele abacaxi vão depender da forma como ele é consumido. Você conhece a classificação dos alimentos utilizada pelo guia alimentar para a população brasileira? Vamos entender usando o abacaxi como exemplo.

1- Alimento in natura: aqueles obtidos diretamente da natureza sem sofrer qualquer alteração. Exemplo: o abacaxi fresco

2- Alimentos minimamente processados: correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. Exemplo: abacaxi desidratado sem adição de açúcar

3- Alimentos processados: são fabricados pela indústria com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário a alimentos in natura para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar. São produtos derivados diretamente de alimentos e são reconhecidos como versões dos alimentos originais. Exemplo: abacaxi em calda ou cristalizado

4- Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório como corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para tornar o produto mais atraente, acessível, palatável, apresentar longa vida de prateleira e praticidade. Exemplo: suco néctar de abacaxi.

O fato de ser “de fruta” causa uma sensação no consumidor de estar escolhendo opções mais saudáveis, mas na verdade, quanto maior o processamento, mais açúcar e mais aditivos são ali colocados. E consequentemente os benefícios do que um dia foi fruta vira um verdadeiro “abacaxi” para a saúde.

Uma pesquisa recente tentou avaliar a relação do consumo de frutas e produtos de frutas com diferentes graus de processamento e o impacto para a saúde. Os pesquisadores revisaram uma vasta literatura sobre o tema e encontraram os seguintes achados: O consumo equilibrado de frutas frescas é claramente protetor para o desenvolvimento de doenças crônicas, mas como fruta e não como suco natural, mesmo aqueles feitos em casa com todo o cuidado sem uso de aditivos ou açúcar. Isso porque ao fazer o suco, é destruída a matriz da fruta com importante perda de fibras. Isso faz com que o suco tenha uma capacidade de elevar mais rapidamente a glicose no sangue (alto índice glicêmico). Além disso, os alimentos sólidos exigem o processo de mastigação, dando mais saciedade do que alimentos líquidos. Já o alto consumo de frutas enlatadas e sucos de frutas adoçadas estão diretamente associados com desfechos negativos para a saúde. Muitas mães trocaram o refrigerante pelo suco de caixinha adoçado, achando que fizeram uma boa troca. Mas na verdade, nem o refrigerante e nem o suco da caixinha devem ser incentivados. Bom mesmo é comer a fruta fresca, sem destruir sua matriz e principalmente sem adicionar açúcar.

]]>
0
Compulsão alimentar: entenda o que é e como tratar o problema http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/19/compulsao-alimentar-entenda-o-que-e-e-como-tratar-o-problema/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/19/compulsao-alimentar-entenda-o-que-e-e-como-tratar-o-problema/#respond Fri, 19 Apr 2019 07:00:05 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=588

Crédito: iStock

O transtorno da compulsão alimentar (TCA) é o transtorno alimentar mais comum. Uma pesquisa divulgada pela organização mundial da saúde realizada em 14 países de 4 continentes indica que esse problema ocorre em 1,4% da população geral adulta. Mas quando são estudadas pessoas que buscam tratamento para obesidade, a sua prevalência chega a ser de 30%. Mas acredita-se que seja muito mais frequente pois muitas pessoas evitam de falar sobre o problema por constrangimento.

O TCA é caracterizado por episódios recorrentes de compulsão nos quais a pessoa come, dentro de um período de duas horas, uma quantidade de comida que é definitivamente maior do que aquela que a maioria das pessoas comeria no mesmo período e em condições semelhantes, associados a uma sensação perda de controle sobre o comer. Os episódios são acompanhados a sentimentos de culpa e ocorrem pelo menos uma vez por semana durante três meses. Em geral o consumo alimentar ocorre mesmo quando a pessoa não se sente fisicamente com fome, e acaba comendo mais rapidamente que o normal até se sentir desconfortavelmente cheia. Não é incomum que a pessoa coma escondida por ter vergonha de expor a sua incapacidade de controlar o impulso de comer demais. Sem dúvidas o sofrimento é muito grande. Daí a importância de se desmistificar o problema, para que as pessoas possam se sentir acolhidas e tentem buscar tratamento.

Infelizmente o transtorno ainda é pouco diagnosticado. Primeiro porque as pessoas se sentem constrangidas e não procuram ajuda, porém, mais preocupante é que muitos profissionais não questionam aos seus pacientes a presença de problemas relacionados com o comer. Apenas 1/3 dos portadores de TCA referem ter sido abordados sobre a alimentação por seus médicos. Obviamente a falta de diagnóstico termina por limitar o tratamento dessa condição.

A psicoterapia associada ou não a medicamentos é considerada o tratamento de primeira linha. Nos casos leves somente a psicoterapia pode ser suficiente. Já os casos moderados a graves o tratamento farmacológico pode ser indicado. O que define a gravidade do transtorno é o número de episódios que ocorre ao longo de uma semana, sendo considerado leve quando não passam de 3 episódios por semana. Quatro a sete episódios configuram um caso moderado e mais do que 8 episódios já caracterizam um quadro de maior gravidade.

Várias classes de medicamentos têm sido utilizadas para tratar o TCA e incluem antidepressivos, anticonvulsivantes e até remédios para obesidade. No final do ano passado, uma medicação comercializada para tratar déficit de atenção e transtorno de hiperatividade foi aprovada também para o tratamento da compulsão alimentar. É o primeiro medicamento com estudos mais robustos e que ganhou a aprovação específica para casos de compulsão moderada a grave.  O medicamento age no cérebro, regulando os níveis de neurotransmissores ligados ao prazer e vontade de comer. Nas pesquisas, houve uma redução de quase quatro episódios de compulsão por semana nos primeiros três meses de tratamento. Como qualquer tratamento, a medicação tem contraindicações e efeitos colaterais e é importante ressaltar que a indicação dessa nova opção só deve ser feita sob acompanhamento médico.

]]>
0
É possível ter mais saúde mesmo com excesso de peso? http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/12/e-possivel-ter-mais-saude-mesmo-com-excesso-de-peso/ http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/04/12/e-possivel-ter-mais-saude-mesmo-com-excesso-de-peso/#respond Fri, 12 Apr 2019 07:00:01 +0000 http://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/?p=581

Crédito: iStock

Hoje em dia, existe grande discussão em torno dos riscos associados ao excesso de peso e muitas pessoas defendem que é possível ser saudável mesmo tendo obesidade. Para explicar melhor isso é importante entender alguns pontos.

Não existe dúvida na literatura médica que quanto maior o peso do indivíduo, maiores são os riscos para a saúde. Uma pesquisa publicada no ano passado avaliou o impacto de diferentes graus de excesso de peso no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e na redução da sobrevida. O estudo acompanhou  um total de 3,2 milhões de pessoas por ano de 1964 até 2015. Resultado: quanto maior o grau de obesidade conforme IMC (índice de massa corpórea) —calcule o seu –, maior foi o risco de desenvolver doença cardiovascular ao longo da vida.

Em relação à sobrevida, pessoas com sobrepeso  (IMC > 25 kg/m2- 29,9 kg/m2) tiveram a mesma expectativa de vida que aquelas de  peso normal, mas apesar de longevidade semelhante elas apresentaram maior risco de desenvolver problemas cardíacos mais jovens, resultando num maior tempo vivendo com doença cardiovascular.

Claro que pessoas com excesso de peso têm mais chance de complicações como diabetes, pressão alta e dislipidemia. Mas existem aquelas pessoas com sobrepeso ou mesmo com obesidade que não têm complicações metabólicas. Essa condição costuma ser chamada de obesidade metabolicamente saudável. Ou seja, mesmo a pessoa sofrendo com excesso de peso, todos os seus exames estão normais. E é justamente esse padrão que faz com que muitos defendam que é possível ter obesidade e ser saudável.

Será? A pesquisa mais importante que tentou responder se existe obesidade saudável avaliou 3,5 milhões de britânicos. Os participantes eram livres de doenças cardiovasculares no início do acompanhamento e foram categorizados como portadores de peso normal, sobrepeso e obesidade e se tinham nenhuma, uma, duas ou três alterações metabólicas (pressão alta, diabetes, dislipidemia). Os participantes com obesidade metabolicamente saudável tiveram 49% de aumento do risco de doença coronariana e 96% de aumento do risco de insuficiência cardíaca em relação aos indivíduos de peso normal também metabolicamente saudáveis. Ou seja, mesmo com todo o check-up normal, a obesidade por si só aumenta o risco de doença cardiovascular. Os autores concluem a pesquisa dizendo que não existe obesidade saudável.

Mas isso não quer dizer que a pessoa que sofre com excesso de peso e obesidade não possa ser mais saudável do que é. E esse é o ponto mais importante. Perda de peso mesmo que modesta já traz benefícios para a saúde. Por exemplo, alguém que pesa 100 kg e que passa a pesar 90 Kg já reduz de forma significativa o risco de desenvolver doença cardiovascular, mesmo continuando com obesidade. Tentar ter um peso um pouco menor já traz benefícios!

Além disso, ser ativo fisicamente melhora muito a saúde. Pessoas com obesidade que são ativas têm menor mortalidade que pessoas de peso normal sedentárias. Assim, adotar um estilo de vida saudável pode amenizar os efeitos deletérios da obesidade. Não existe obesidade saudável, mas é possível ter mais saúde mesmo tendo excesso de peso!

Referências bibliográficas:
Metabolically Healthy Obese and Incident Cardiovascular Disease Events Among 3.5 Million Men and Women. J Am Coll Cardiol. 2017;70(12):1429-1437.
Association of Body Mass Index With Lifetime Risk of Cardiovascular Disease and Compression of Morbidity. JAMA Cardiol. 2018;3(4):280-287.
Weight Loss and Improvement in Comorbidity: Differences at 5%, 10%, 15%, and Over. Curr Obes Rep. 2017;6(2):187-194.

 

 

]]>
0