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Blog da Cintia Cercato

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Você sabe quanto precisa emagrecer para ser mais saudável?

Cintia Cercato

01/12/2017 04h05

Crédito: iStock

Excesso de peso e obesidade podem trazer muitos problemas para a saúde. Os riscos vão depender, principalmente, de como a gordura está distribuída no nosso corpo. De uma maneira simples, podemos dizer que existem dois tipos de obesidade. Quando a gordura está localizada preferencialmente na barriga, chamamos de obesidade abdominal ou visceral e, sem sombra de dúvidas, ela está associada a um maior risco de diabetes e doenças cardiovasculares. Já aquela gordura que se acumula na região dos quadris e coxas não parece acarretar um maior risco cardiovascular, apesar de poder ser deletéria para outras complicações da obesidade, como artrose de joelhos, por exemplo.

Sabemos, também, que emagrecer melhora e, às vezes, até reverte muitas das complicações que são associadas ao excesso de peso. Mas você sabe quanto precisamos emagrecer para ganhar mais saúde? A grande maioria das pessoas sempre pensa em metas extramente arrojadas ou mesmo em conseguir atingir o peso ideal. E para pessoas que estão muito acima do peso, essa não é uma tarefa simples, e nem deve ser o objetivo do tratamento. O peso ideal a ser considerado é aquele que trará maior qualidade de vida e menos riscos à saúde. A boa notícia é que reduções de peso, mesmo que modestas já tem um impacto muito positivo para a saúde!

Uma pesquisa recente da Universidade de Washington em St Louis avaliou o que acontecia com a gordura corporal e saúde metabólica com diferentes graus de perda de peso. Participantes com cerca de 105 Kg foram avaliados após reduzirem 5% do peso com dieta (ou seja, cerca de 5 kg), posteriormente reavaliados quando atingiam reduções de 10% e 15% em relação ao peso inicial. Os pesquisadores demonstraram que existe uma perda de peso preferencial do pior tipo de gordura para a saúde, a gordura da região do abdome e do fígado.

Uma perda modesta de apenas 5% do peso levou a uma redução de 10% da gordura abdominal e do fígado. Isso já foi suficiente para melhorar o funcionamento da insulina no organismo. A redução de 10% do peso corporal total levou a uma perda de 20% da gordura abdominal e de 50% da gordura no fígado! É interessante notar que essas pessoas ainda estavam pesando em torno de 95 Kg, ou seja, continuavam longe do peso ideal, mas houve uma redução desproporcional da gordura hepática, considerada vilã para a saúde. Esses quilos a menos melhoraram o funcionamento da insulina, a pressão arterial, o perfil lipídico, reduziram marcadores inflamatórios além do estresse oxidativo celular.

O fato de perdermos preferencialmente os estoques de gordura mais deletérios nos permite trabalhar com metas de perda de peso menos arrojadas, em torno de 5-10% do peso, que são mais fáceis de serem atingidas. Se você está acima do peso, pense nisso. Alguns quilos podem representar muitos benefícios e muito mais saúde!

Referência:

Magkos F, Fraterrigo G, Yoshino J, Luecking C, Kirbach K, Kelly SC, de Las Fuentes L, He S, Okunade AL, Patterson BW, Klein S. Effects of Moderate and Subsequent Progressive Weight Loss on Metabolic Function and Adipose Tissue Biology in Humans with Obesity. Cell Metab. 2016;23(4):591-601.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.