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Blog da Cintia Cercato

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Por que é tão difícil emagrecer e manter o peso perdido?

Cintia Cercato

08/12/2017 04h10

Crédito: iStock

Um problema comum entre pessoas com obesidade é a dificuldade de manter o novo peso alcançado após um tratamento. Muitos chamam isso de "efeito sanfona". Conseguem com muito sacrifício perder aqueles quilos que tanto incomodam e, em um pequeno descuido, tudo volta rapidinho. Novas tentativas realizadas, perde-se peso e outra vez o peso é recuperado.

De fato, infelizmente, poucas pessoas conseguem manter o peso perdido por um período prolongado. Pesquisas mostram que apenas uma em cada cinco pessoas que fazem dieta para emagrecer tem sucesso na manutenção do peso. A definição de sucesso utilizada nessas pesquisas é conseguir perder mais que 10% do seu peso inicial e manter-se nessa meta por no mínimo um ano.

Mas afinal, por que é tão difícil emagrecer?

A resposta é que existem "forças engordativas" dentro de nós que lutam contra a perda de peso. O peso corporal é regulado por um sistema neuro-hormonal complexo. Produzimos hormônios que controlam a fome e a saciedade. Pesquisadores avaliaram pessoas com obesidade, antes e 1 ano após tratamento com dieta com restrição de calorias.

Foi demonstrado que as pessoas depois que emagrecem começam a ter mais fome e mais desejo de comer, e isso se deve a mudança do ambiente hormonal do corpo, onde há diminuição de hormônios envolvidos em saciedade e aumento daqueles envolvidos no aumento do apetite. Essas alterações foram observadas mesmo um ano após a perda de peso, mostrando que o corpo não se acostuma com o novo peso.

Outro trabalho muito interessante avaliou participantes do reality show "Biggest Loser", onde pessoas muito obesas rapidamente perderam grande quantidade de peso. A perda de peso foi principalmente à custa de massa gorda com relativa preservação da massa magra uma vez que os participantes faziam muito exercício. Ao final da competição houve uma expressiva redução do metabolismo, indicando que o corpo sofre uma adaptação à perda de peso, queimando muito menos calorias.

O mais impressionante desse estudo foi a reavaliação dos participantes seis anos após o final da competição. A maioria dos participantes continuava queimando muito menos calorias do que o esperado, apesar de continuarem fisicamente ativos, mostrando que as adaptações à perda de peso permanecem por anos. Desses participantes, os que reganharam menos peso foram aqueles que conservaram o hábito de fazer mais exercícios físicos.

Existem estratégias importantes que ajudam as pessoas a ter sucesso na manutenção da perda de peso por longos períodos, justamente para anular essas "forças engordativas". Uma ferramenta fundamental é aumentar o tempo de atividade física. Habitualmente os médicos recomendam 150 minutos de exercícios por semana para que as pessoas não sejam consideradas sedentárias. No caso de quem quer manter peso deve-se dobrar essa meta. Os estudos defendem um mínimo de 300 minutos por semana. Falta de tempo é um grande problema no mundo atual. Mas sempre gosto de lembrar que se você não tem tempo de ficar doente, você tem que ter tempo para ficar bem! Pense nisso.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.