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Blog da Cintia Cercato

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Entenda como agem os 4 medicamentos para emagrecer aprovados no Brasil

Cintia Cercato

21/09/2018 04h00

Crédito: iStock

A obesidade é uma das maiores epidemias do século. Ela pode causar ou agravar muitos problemas de saúde, como pressão alta, diabetes tipo 2, apneia do sono, osteoartrose entre outros. De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Obesidade, o tratamento com medicamentos é indicado para pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 25 kg/m2 e que apresentam doenças associadas ao excesso de peso. Ou ainda para aquelas com IMC acima de 30 kg/m2 independentemente de terem ou não complicações do excesso de peso —calcule seu IMC aqui.

Existem quatro medicamentos aprovados pela ANVISA para o tratamento da obesidade:

  • Orlistate;
  • Sibutramina;
  • Liraglutida;
  • Lorcasserina.

É importante destacar que o tratamento com medicamentos sempre deve vir acompanhado de mudança de estilo de vida, como dieta e prática regular de exercícios físicos, e sempre acompanhado pelo médico. A seguir, explico melhor como cada um dos remédios agem no organismo e ajudam na perda de peso.

Orlistate

É um medicamento que inibe a ação de lipases intestinais, podendo reduzir em até 30% a absorção da gordura consumida na refeição. Não age no apetite, mas acaba ajudando a emagrecer pois uma parte da gordura ingerida acaba sendo eliminada nas fezes. Claro que deve ser aliado a uma dieta saudável, pois se o consumo de gorduras for muito exagerado não haverá um déficit de calorias, o que é necessário para a perda de peso. Tem como efeitos colaterais fezes oleosas, diarreia e dor abdominal, que podem acontecer com mais frequência.

Sibutramina

Age no sistema nervoso central por meio de dois neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina. Com isso, reduz a vontade de comer, mantendo o corpo saciado por mais tempo, além de deixar o metabolismo mais acelerado. Essas ações acabam levando ao menor consumo de calorias e maior gasto de energia. No entanto, a sibutramina pode aumentar os batimentos cardíacos e a pressão arterial. Por isso, não deve ser usada por pessoas com problemas cardíacos, por exemplo, aquelas com arritmia, hipertensão arterial descontrolada, angina ou que já sofreram infarto e derrame.

Liraglutida

Atua no organismo da mesma forma que um hormônio chamado GLP-1, naturalmente produzido pelo intestino nas refeições. Esse hormônio reduz o esvaziamento do estômago e sinaliza para o cérebro que estamos alimentados, promovendo saciedade. Existem evidências de que a substância participa também da regulação do apetite hedônico –aquele em que a busca alimentar se dá por recompensa e prazer. A liraglutida também é usada no tratamento de diabetes tipo 2, pois aumenta a sensibilidade do pâncreas para produzir insulina. É uma medicação aplicada por injeções diárias via subcutânea e tem como principais efeitos colaterais náusea, intestino preso e sintomas de refluxo.

Lorcasserina

Já foi aprovada pela Anvisa mas ainda não é comercializada nas farmácias. Ela age via serotonina no hipotálamo –região cerebral que participa do controle do apetite. A ação se dá em único tipo de receptor de serotonina (5HT2c), que além de estar presente no hipotálamo é bastante expresso em uma região cerebral envolvida com o comer emocional, mas os estudos ainda são escassos com esse perfil de pessoas. Os principais efeitos colaterais são dor de cabeça, náusea, boca seca e intestino preso.

É importante ressaltar que para uma medicação ser aprovada pelas agências regulatórias ela tem de passar por diversas pesquisas clínicas e demonstrar segurança e eficácia na perda de peso. A obesidade é doença crônica, que pode prejudicar muito a saúde. Deve ser encarada com respeito e o tratamento ético é fundamental.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.