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Blog da Cintia Cercato

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Mulheres podem engordar de 2 a 7 quilos na menopausa, mas por quê?

Cintia Cercato

26/01/2018 04h10

Crédito: iStock

A menopausa é um estágio bastante complicado na vida da mulher. Muitas alterações acontecem no corpo feminino e uma queixa recorrente está relacionada ao aumento de peso e mudanças na distribuição da gordura corporal. Estudos mostram uma média de ganho de 2 a 7 quilos nesse período.

Os estrógenos tem um papel importante em modular o balanço energético e o metabolismo. É bem comprovado por estudos experimentais que baixos níveis de estrógenos, como ocorre na menopausa, levam ao aumento do consumo alimentar e diminuição do gasto energético, promovendo o ganho de peso.

Mas esse acúmulo costuma acontecer na região abdominal. O estrógeno estimula a deposição da gordura na região dos quadris e, na falta desse hormônio, o excesso de calorias acaba se depositando no abdome e as mulheres sentem isso claramente através do aumento da cintura.

Pesquisadores americanos avaliaram 156 mulheres com exames sofisticados de composição corporal e metabolismo por um período de quatro anos, desde a fase da pré-menopausa até dois anos após a cessação da menstruação. O peso e a gordura corporal aumentaram significativamente com o tempo.

Por meio de uma tomografia computadorizada do abdome, foi possível verificar um importante aumento da gordura visceral, o tipo de gordura mais perigosa para a saúde. Ela aumenta as chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e pressão alta, levando a um risco cardiovascular maior nas mulheres menopausadas.

Além disso, estudos mais recentes têm demonstrado que o estrógeno estimula um tipo de gordura que aumenta o gasto de calorias –o tecido adiposo marrom. Na menopausa, a deficiência hormonal deixa de ativar esse tipo de gordura e acaba levando a uma importante queda do metabolismo, favorecendo o aumento de peso.

Realmente, essa é uma fase de risco para ganhar peso. Mulheres que estão na fase de pré-menopausa devem cuidar da alimentação e realizar atividade física regularmente, como estratégia preventiva para amenizar os efeitos da menopausa no corpo.

E a reposição hormonal ajuda ou atrapalha o peso?

Uma grande revisão de vários trabalhos sobre o assunto mostrou que a terapia de reposição hormonal não está associada ao aumento de gordura corporal, mas também não faz a perder peso. Alguns trabalhos mostraram melhora da distribuição da gordura corporal, com redução da gordura visceral e redução do risco de diabetes do tipo 2. Mas esses achados não foram unânimes em todos os estudos.

É importante ressaltar que a indicação da reposição hormonal deve ser baseada nos diversos sintomas que podem surgir, dos benefícios frente aos potenciais riscos, dependendo do histórico de saúde de cada mulher. E, claro, sempre com a indicação e acompanhamento médico.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.