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Blog da Cintia Cercato

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Seu cafezinho de todos os dias pode fazer bem para o coração e o fígado

Cintia Cercato

16/02/2018 04h01

benefícios do café

Crédito: iStock

O café é uma paixão nacional e está presente em 98% dos lares brasileiros. É a segunda bebida mais consumida no país, perdendo apenas para a água. A boa notícia é que o café parece fazer bem para saúde. O café é uma mistura complexa com mais de 1000 compostos bioativos. A cafeína sempre é muito lembrada, mas existem também flavonóides, salcilatos, óleos essenciais, vitaminas e minerais que tornam a bebida muito boa para seu organismo.

Um estudo recente, publicado no British Medical Journal, mostrou que pessoas que tomam três xícaras de café por dia parecem garantir maiores benefícios para o coração do que quem não ingere a bebida. Os pesquisadores avaliaram mais de 200 trabalhos científicos e associaram ao café  uma redução de 19% do risco de morte por doença cardiovascular, 16% de redução de morte por doença coronariana e 30% de redução de mortalidade por derrame cerebral. Um dado interessante é que os benefícios foram vistos tanto para quem consumia café normal quanto descafeinado. Provavelmente, isso se deve a complexa composição da bebida, que tem substâncias com propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias.

Uma revisão de cerca de 40 estudos mostrou redução de 18% na incidência de câncer nas pessoas que tomavam maiores quantidades de café, em relação a quem consumia muito pouco da bebida. Foram encontrados menor risco de câncer de próstata, endometrial, melanoma (de pele) e fígado. Aliás, café parece fazer bem para a saúde do fígado. Pessoas que tomam a bebida têm menor risco de esteatose hepática (gordura no fígado) e 39% de redução de risco de cirrose.

Análise baseada em mais de um milhão de participantes demonstrou associação inversa entre consumo de café e diabetes tipo 2. A bebida foi consistentemente relacionada a 30% de redução no risco da doença, tanto para quem consumia café normal, quanto o descafeinado. Estudos experimentais já demonstram que componentes do café reduzem a resistência a insulina e melhoram o metabolismo de glicose. Mais pontos para o café!

No entanto, nem tudo são flores. Existem evidências de que o alto consumo de café durante a gestação não é tão bom assim. Os pesquisadores encontraram maior risco de aborto, parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer em gestantes que exageravam na dose de café. Além disso, mulheres após a menopausa que consumiam muito a bebida tiveram um aumento de 14% no risco de fraturas.

É importante dizer que todos esses estudos mostram associação entre consumo e beneficio e não uma relação causa e efeito. Ou seja, não dá pra afirmar que beber café vai prevenir doenças crônicas e reduzir mortalidade. O que podemos apontar é que é seguro para a maioria das pessoas tomar café e seu consumo moderado pode ser incorporado como parte de um estilo de vida saudável.

Que tal um cafezinho agora?

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.