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Dieta sem glúten: será que ela faz mesmo sentido para você?

Cintia Cercato

20/04/2018 04h00

Dieta sem glúten

Crédito: iStock

O glúten é uma combinação de proteínas presente em cereais como trigo, cevada e centeio, muito utilizada na produção de massas e pães, pois garante uma boa elasticidade e textura aos produtos.

As dietas sem glúten ganharam popularidade nos últimos anos e pesquisas de mercado indicam que mais do que 15,5 bilhões de dólares foram gastos em produtos sem glúten em 2016, praticamente o dobro do valor de 2011.

Classicamente, os produtos sem glúten são indicados para pessoas portadoras de doença celíaca –uma doença na qual existe uma reação imunológica ao glúten, que causa inflamação no intestino, prejudicando a absorção de uma série de nutrientes. Estima-se que 1% da população apresenta a doença celíaca, e esse número não vem aumentando ao longo dos anos. Por outro lado, muitas celebridades surgem na mídia defendendo que a dieta sem glúten ajuda a perder peso, o que sem dúvidas ajuda muito a impulsionar esse mercado bilionário dos alimentos “gluten-free”. Um estudo apontou que até 30% dos americanos já tentaram fazer uma dieta sem glúten por ter a percepção de que seria mais saudável para o organismo e produziria maior perda de peso.

Mas afinal, o que dizem as evidências científicas?

Sem sombra de dúvidas, para os portadores de doença celíaca é fundamental retirar o glúten da dieta, pois o consumo desses produtos leva à atrofia das vilosidades intestinais causando má-absorção e deficiências nutricionais. Existe um grupo de pessoas que tem sido classificados como portadores de sensibilidade ao glúten não celiaca. Elas não têm doença celíaca, mas apresentam sintomas como cólicas, distensão abdominal, gases, diarreia e dor de cabeça, que melhoram com a restrição do glúten e pioram com a reintrodução dele.  Como o diagnóstico é menos objetivo, a prevalência dessa condição é muito variável na população –cerca de 0,6% a 13%, dependendo do estudo.  Nesse caso é muito importante a avaliação clínica, pois a restrição ao glúten pode ser benéfica quando  existe a melhora dos sintomas.

E para emagrecer? Neste momento não há provas científicas de que dietas sem glúten promovem maior perda de peso que dietas com glúten se as calorias forem as mesmas. O que acontece é que pessoas que retiram o glúten acabam eliminando alimentos como pão branco, pizza e bolo, reduzindo assim o número de calorias ingeridas no dia.

Outro ponto importante é que como o mercado dos produtos “gluten-free” está em alta, existem muitas opções para o consumidor, mas não se iluda!  Nem sempre esses alimentos são “mais saudáveis”.  Muitos deles tem mais gordura que a sua versão tradicional.  Sabe o que mais?  São muito mais caros, chegando a custar 200% a mais!!!

Por tudo isso, é sempre muito importante buscar orientação do médico ou do nutricionista quando o assunto é dieta e alimentação saudável.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
- Facebook: https://www.facebook.com/dracintiacercato/
- Instagram: https://www.instagram.com/cintiacercato/
- Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCbLI7AXyq3G2pyNDEL7zuvg

Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.

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