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Blog da Cintia Cercato

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Casados têm melhor saúde que solteiros ou divorciados?

Cintia Cercato

27/07/2018 04h00

Crédito: iStock

De acordo com as estatísticas de registro civil publicadas pelo IBGE, os brasileiros estão se casando menos e se divorciando cada vez mais. Dados de 2016 indicaram que para cada três casamentos realizados, um termina em divórcio. Casar ou terminar um relacionamento sério não é uma decisão fácil, mas vale sempre a regra de que importante mesmo é ser feliz. E buscar uma vida feliz é um pilar fundamental para ter boa saúde.

Mas o estado civil pode influenciar a saúde das pessoas?

Muitas pesquisas têm demonstrado que pessoas casadas têm menores taxas de mortalidade que pessoas solteiras ou divorciadas. Estudos demonstram que pessoas casadas, em relação a aquelas que estão sozinhas, tendem a viver mais, ter menos eventos cardiovasculares (derrame ou infarto), ter maior chance de sobreviver a um câncer ou a uma grande cirurgia. Impressionante, não?

Entretanto, isso não significa que casar automaticamente torna você uma pessoa mais saudável, e que devemos sair por aí recomendando casamento como forma de prevenção de doenças.

Existem algumas hipóteses que têm sido propostas para explicar esses achados. São elas:

  1. Seleção social: Pessoas com hábitos mais saudáveis são consideradas "melhores partidos" e acabam casando mais;
  2. Proteção social: Pessoas casadas podem encontrar maior apoio financeiro, maior apoio emocional e uma maior supervisão por parte do(a) companheiro(a), ficando em dia com seus exames de rotina ou mesmo tendendo a evitar atividades perigosas que colocam em risco a saúde;
  3. Obrigação social: Trata-se de uma forma indireta de controle, onde hábitos de saúde ruins são evitados por conta da presença da família. Um exemplo é o hábito de fumar ou beber descontroladamente, que pode se tornar indesejável pelo(a) companheiro (a) ou filhos, diminuindo a frequência desses comportamentos.

E o que acontece com quem deixa de ser casado? Uma pesquisa recente, que acompanhou uma grande população da Finlândia durante 12 anos, constatou que a transição do estado civil está associada a mudança de hábitos de vida. Pessoas que se divorciam ou tornam-se viúvas tendem a aumentar o consumo de cigarros e álcool, por exemplo.

Mas será simplesmente consequência do estado civil? Existem estudos que avaliam os efeitos biológicos que um relacionamento social causa no organismo. E mais importante do que o estado civil em si é o sentimento de felicidade. Sim, pessoas felizes e realizadas costumam ter melhor imunidade, além de melhor resposta hormonal e cardiovascular a fatores estressores.

O importante mesmo é ser feliz!

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.