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Blog da Cintia Cercato

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Síndrome dos ovários policísticos aumenta risco de doenças do coração

Cintia Cercato

03/08/2018 04h00

Crédito: Istock

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição comum em mulheres em idade reprodutiva, ocorrendo em cerca de 5-16% dependendo do critério diagnóstico utilizado. Atualmente, existe um consenso geral entre a comunidade de endocrinologistas e ginecologistas de que o diagnóstico de SOP deve ser baseado nos seguintes critérios, que incluem duas das três características a seguir:

1- Irregularidade menstrual caracterizada pela redução ou ausência de menstruação (oligomenorreia/amenorreia);
2- Excesso de hormônios masculinos sejam dosados no sangue ou percebidos clinicamente pelo aumento de pelos corporais, pele oleosa e acne;
3- Presença de ovários policísticos à ultrassonografia;

O diagnóstico de SOP deve ser realizado após excluídos outros problemas endocrinológicos. Além das características acima essas mulheres frequentemente apresentam excesso de peso e complicações metabólicas como hipertensão arterial, aumento dos triglicérides, elevação da glicemia ou mesmo diabetes do tipo 2.
Por conta disso, muitas pesquisas têm demonstrado uma forte associação entre SOP e doença cardiovascular.

Estudos que avaliaram um reconhecido marcador de aterosclerose subclínica- a espessura médio-intimal das artérias carótidas, mostraram valores significativamente aumentados em mulheres com SOP, indicando que elas têm um risco maior de aterosclerose prematura. Tais achados reforçam a importância do rastreamento e monitoramento dos fatores de risco cardiovascular nessas mulheres.

Um grande estudo nacional com base em registros na Dinamarca, que incluiu 18.112 mulheres com SOP e 52.769 mulheres no grupo controle (que não tinham a doença), encontrou taxas mais altas de eventos cardiovasculares, em pacientes relativamente jovens com SOP. A presença de obesidade, diabetes e infertilidade foi associada ao aumento do risco nessas mulheres. Como o excesso de peso piora o risco cardiovascular, a perda de peso em mulheres com SOP tem sido recomendada para redução dos fatores de risco metabólicos. Mas a perda de peso também tem sido relacionada à melhora dos parâmetros hormonais e fertilidade.

Outras pesquisas científicas têm demonstrado que uma dieta com baixo indice glicêmico (ricas em fibras) e a dieta do mediterrâneo melhoram os parâmetros metabólicos, mesmo em mulheres com peso corporal adequado. Realização de atividade física regular também tem sido recomendada e pesquisas têm demonstrado melhora na função vascular dessas mulheres.
Assim, mulheres com as características da síndrome dos ovários policisticos devem realizar um acompanhamento médico adequado, com a investigação de fatores de risco metabólicos como avaliação do peso, pressão arterial, exames de glicemia e perfil lipídico. Independentemente do peso estar ou não adequado, uma dieta rica em fibras e atividade física regular devem fazer parte da rotina feminina.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.