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Blog da Cintia Cercato

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Refluxo gastroesofágico: veja como a alimentação pode ajudar no tratamento

Cintia Cercato

24/08/2018 04h00

Crédito: iStock

A doença do refluxo gastroesofágico é um problema da motilidade gastrointestinal associada com o refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago e cavidade oral.

Existem dois sintomas principais: a queimação no peito, que costuma piorar após as refeições, referida frequentemente como azia, e a regurgitação de conteúdo gástrico ácido para a boca e hipofaringe. Outros sintomas que podem acontecer são erosão dental, halitose, rouquidão, tosse e até mesmo asma.

É um dos problemas gástricos mais frequentes e uma das principais causas para realização de endoscopia digestiva alta. Um dos problemas do refluxo é que o conteúdo ácido do estômago acaba retornando para o esôfago e causando inflamação crônica e ulcerações. Em longo prazo, o quadro pode até aumentar o risco de câncer de esôfago.

Alguns fatores elevam o risco de uma pessoa apresentar a doença. Um dos mais frequentes é justamente o excesso de peso e obesidade, particularmente quando o acúmulo de gordura ocorre na região abdominal. Isso acontece pois o excesso de gordura aumenta a pressão gástrica, favorecendo o refluxo.

Numa revisão de estudos sobre o tema, os pesquisadores encontraram uma relação estreita entre o índice de massa corpórea (IMC) e o risco de refluxo. Pessoas com IMC de 25 a 30 kg/m2 apresentavam 43% mais chance de ter sintomas da doença de refluxo e aquelas com IMC acima de 30 kg/m2 apresentavam 94% mais chance do problema.

Como a prevalência de obesidade vem aumentando em todo o mundo, é cada vez mais frequente pessoas com sintomas de refluxo.

Um dos pilares do tratamento dessa condição é melhorar a alimentação. Algumas atitudes podem reduzir os sintomas do refluxo:

  1. Comer em menores quantidades e mais vezes ao dia;
  2. Maneirar na ingestão de líquidos durante as refeições;
  3. Evitar se deitar logo após comer;
  4. Evitar fazer exercícios logo após as refeições;
  5. Elevar a cabeceira da cama no caso de pessoas que apresentam sintomas à noite, como tosse;
  6. Manter um peso saudável.

Existem alguns alimentos e bebidas que podem piorar os sintomas de refluxo e, portanto, devem sempre que possível ser evitados:

  • Comidas gordurosas e frituras;
  • Chocolate;
  • Alimentos muito condimentados, principalmente com pimenta;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Bebidas com cafeína (café, alguns tipos de chá, guaraná);
  • Bebidas gaseificadas;
  • Alimentos cítricos;
  • Produtos com tomate.

Se você apresenta sintomas de refluxo busque orientação médica, pois tratar essa condição melhora a qualidade de vida e pode evitar as complicações graves como esofagite crônica e até mesmo câncer de esôfago.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.