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Blog da Cintia Cercato

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Enxaqueca tem vários gatilhos e obesidade aumenta em 44% risco da doença

Cintia Cercato

14/09/2018 04h00

Crédito: iStock

A enxaqueca é um problema relativamente comum, que as pessoas podem começar ter por volta dos 10 aos 14 anos de idade, com um pico de ocorrência perto dos 35 anos. A doença é duas a três vezes mais comum em mulheres e costuma melhorar após a menopausa. Para alguns, o problema é ocasional. Já para outros pode ser frequente e incapacitante, levando a uma importante redução da qualidade de vida.

Um ataque de enxaqueca é um evento neurológico complexo que pode ter sintomas que precedem, acompanham ou seguem a dor de cabeça. Enxergar pontos luminosos ou escuros, apresentar formigamentos ou ter tonturas podem ocorrer antes do quadro de dor. A dor costuma ser pulsátil de forte intensidade, associada a uma maior sensibilidade à luz e ao som, acompanhada de náuseas e vômitos.

A enxaqueca é iniciada após alguns "gatilhos". Estresse, variação hormonal (como no período pré-menstrual), privação de sono e sensação de fome têm sido relatados como possíveis desencadeadores de um ataque. Alimentos ricos em nitrato (como salsichas, salame e bacon), laticínios, glutamato monossódico, fontes de tiramina (como alguns tipos de queijo, figos, feijão e frutas cítricas), café e bebidas alcoólicas podem estar associados a um ataque de enxaqueca para algumas pessoas.

Para descobrir qual é seu gatilho, é recomendado que a pessoas que sofre com o problema faça um calendário e marque nos dias que teve dor de cabeça situações vividas e alimentos consumidos que podem ter desencadeado o quadro.

A relação entre excesso de peso e enxaqueca também tem sido investigada. Recentemente, ficou comprovado que obesidade pode aumentar em 44% a chance de um indivíduo apresentar enxaqueca. Além disso, pessoas com excesso de peso apresentam maior gravidade dos sintomas, bem como maior chance de apresentar enxaqueca crônica do que apenas episódica. A boa notícia é que várias pesquisas demonstraram melhora importante do quadro clínico com a redução de peso. Assim, ter um peso saudável faz parte do tratamento de quem sofre de enxaqueca crônica.

Em relação à alimentação, as pesquisas ainda são controversas, mas estudos sugerem que algumas estratégias podem ser úteis. Recomenda-se fracionar a alimentação, uma vez que o jejum pode ser um fator desencadeante de ataques de enxaqueca. A restrição leve/moderada de carboidratos na dieta também tem sido estudada. Pesquisas sugerem que dietas cetogênicas (rica em gordura, proteínas e pobre em carboidratos) podem ser benéficas, reduzindo o número de episódios da doença, mas ainda são necessários estudos randomizados e controlados para confirmar a utilidade desse tipo de dieta nos portadores de enxaqueca.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.