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Blog da Cintia Cercato

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Não respeitar a obesidade contribuiu para a compulsão alimentar

Cintia Cercato

12/10/2018 04h00

Crédito: iStock

Nessa quinta-feira (11) foi comemorado o Dia Mundial da Obesidade. Na data, sociedades médicas de vários países apresentaram ações e campanhas para aumentar a conscientização sobre a questão da obesidade, incentivando defesa de direitos e melhora em políticas públicas, além de estimular e apoiar soluções práticas para ajudar as pessoas a alcançar e manter um peso saudável. Esse ano a Federação Mundial de Obesidade está trabalhando a questão do estigma em relação ao peso corporal.

O estigma refere-se a comportamentos negativos e atitudes que são direcionadas para os indivíduos apenas devido ao seu peso. Isso é visto nas escolas, no trabalho, na mídia e até nos serviços de saúde.

Infelizmente, existe a crença de que o estigma e a vergonha motivam as pessoas a perder peso. No entanto, em vez de incentivar mudanças positivas, só contribui para comportamentos como compulsão alimentar, isolamento social, tendência a evitar serviços de saúde, diminuição da atividade física e aumento do ganho de peso, piorando mais a obesidade e criando cada vez mais barreiras na mudança para um comportamento saudável.

No Brasil, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) está trabalhando a campanha "Obesidade eu trato com respeito". Um dos pilares da campanha é o seguinte manifesto:

"Tratar a obesidade com respeito implica disseminar informações sobre o assunto de maneira responsável, checando suas referências. É deixar o sensacionalismo de lado ao abordar o tema. É não dar destaque a dietas milagrosas que colocam em risco a saúde e a vida das pessoas.

Tratar a obesidade com respeito é respeitar o paciente com obesidade. Respeitar a sua condição, é não reforçar a ideia errada de que a obesidade é culpa de quem tem. Tratar a obesidade com respeito é reconhecer que ela é uma doença crônica multifatorial.

Tratar a obesidade com respeito é investir na criação de políticas públicas de prevenção e tratamento, investir em protocolos e diretrizes junto às sociedades do setor para atender da melhor maneira o paciente com obesidade, tanto no âmbito público quanto no privado. É investir no acesso ao tratamento multidisciplinar.

Tratar a obesidade com respeito é integrar o tema aos currículos das escolas de medicina e de outras profissões ligadas ao atendimento do paciente com obesidade. É investir em atualização contínua desses profissionais.

Tratar a obesidade com respeito é respeitar a ciência e suas descobertas, e apoiar estudos na área. É reconhecer a necessidade do acesso ao tratamento completo, que pode, sim, incluir medicamentos, como em qualquer doença crônica. É considerar a cirurgia bariátrica como parte do tratamento, quando necessário.

Apoie essa campanha! Nas redes sociais, use a hashtag #ObesidadeEuTratoComRespeito"

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
- Site: www.cintiacercato.com.br
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.