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Perder peso é o melhor tratamento para combater a gordura no fígado

Cintia Cercato

20/09/2019 04h00

Crédito: iStock

Frequentemente atendo pessoas bem preocupadas por descobrir que têm gordura no fígado — doença muitas vezes descrita como esteatose hepática. Afinal, o que isso significa?

Definimos esteatose hepática quando existe infiltração de gordura em mais do que 5% das células do fígado. Pode acontecer por conta de um consumo alcoólico regular e excessivo. Nessa situação, reduzir o consumo alcoólico é o mais recomendável. Mas atualmente o que vem preocupando é o aumento da prevalência da chamada esteatose hepática não alcoólica, que se caracteriza pelo acúmulo da gordura no fígado em homens que consomem menos de 40 g de álcool por dia e mulheres que consomem menos de 20 g de álcool por dia. (vale lembrar que a cerveja tem um teor alcoólico em média de 5%, ou seja, 5 g em 100 ml, o vinho costuma ter 10-13% e os destilados 50 g de álcool em 100 ml).

O problema de acumular gordura no fígado é que pode ocorrer uma reação inflamatória local evoluindo para um quadro de "hepatite gordurosa" que se não tratada pode evoluir para cirrose e aumentar a chance de câncer de fígado.

A obesidade é a principal causa de gordura no fígado atualmente. A prevalência de esteatose varia de 45 a 85% a depender do grau de obesidade e a hepatite gordurosa atinge 20 a 40% das pessoas com obesidade. O fato de acumular a gordura no fígado aumenta o risco de uma série de complicações metabólicas como diabetes do tipo 2, síndrome dos ovários policísticos e doença cardiovascular.

Na maioria das vezes esse quadro não causa nenhum sintoma, ou quando causa, são sintomas inespecíficos como fraqueza e mal-estar. Geralmente o diagnóstico acontece como um achado num exame de imagem como a ultrassonografia. O médico poderá solicitar exame de enzimas hepáticas que quando aumentadas podem sugerir que já existe algum grau de inflamação no fígado. O ideal é ter um diagnóstico precoce pois o tratamento adequado evita a progressão da doença.

Não existe um tratamento específico para a esteatose hepática, mas sem dúvidas a perda de peso é a principal estratégia para deter a doença. Manter um estilo de vida saudável, uma alimentação equilibrada e praticar exercícios regularmente são os pilares principais do tratamento. Em geral a perda de peso modesta já traz benefícios. Os estudos mostram que perder 5% a 7% do peso causa melhora da esteatose e da inflamação. Perda de peso acelerada através de deitas radicais não é recomendado pois pode sobrecarregar ainda mais o fígado com gordura, piorando a inflamação. Alguns medicamentos têm mostrado benefício, mas a perda de peso ainda é considerada a principal estratégia na maioria dos casos. A boa notícia é que com o tratamento pode existir reversão ou estabilização da doença, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.

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