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Saiba por que não é uma boa ideia usar hormônios da tireoide para emagrecer

Cintia Cercato

13/09/2019 04h00

Crédito: iStock

A tireoide é uma glândula situada no pescoço responsável pela produção dos hormônios tireoidianos T3 e T4. Já falei aqui no blog sobre o hipotireoidismo, que se caracteriza pela deficiência da produção dos hormônios que é um dos problemas mais comuns no funcionamento dessa glândula. No entanto existe também uma situação em que há um aumento da produção e liberação de hormônios que é conhecida como hipertireoidismo.

Os principais sintomas dessa condição são o nervosismo, taquicardia, sudorese excessiva, intolerância ao calor e perda de peso. Essa perda de peso acontece apesar da pessoa frequentemente apresentar também maior apetite. Isso ocorre pois o gasto energético chega a aumentar mais de 60% em pessoas com hipertireoidismo. Mas antes de achar que é bom ter a tireoide funcionando de forma acelerada é importante ressaltar que além de ficar com o humor alterado e poder ter arritmia cardíaca a perda de peso em massa magra e massa óssea é bem significativa. Infelizmente em nosso meio ainda existe um uso abusivo e perigoso de hormônios de tireoide com o objetivo de emagrecimento. Nenhuma sociedade médica nacional ou internacional indica o uso desses hormônios para perda de peso. Seu uso só é recomendado em caso de deficiência comprovada da produção dos hormônios.

Mas existem doenças que podem acometer a tireoide, fazendo com que a glândula trabalhe excessivamente. A causa mais comum de hipertireoidismo é a Doença de Graves. Sua incidência é de 20 a 50 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo que as mulheres são seis vezes mais acometidas que os homens. Existe uma grande influência genética e metade das pessoas com doença de graves tem história de problemas de tireoide na família. Fatores ambientais como o hábito de fumar, altos níveis de estresse e a quantidade de iodo da dieta também tem um papel no desenvolvimento do problema. A doença de Graves é uma doença auto-imune em que existe a produção de um anticorpo que estimula a tireoide. Pessoas com a doença de graves tem mais chance de ter outras doenças auto-imunes associadas. Existem outras causas de hipertireoidismo como nódulos que produzem o excesso de hormônio. Essa é uma situação vista em pessoas com mais idade.

Na presença de sintomas como nervosismo, calor excessivo, perda de peso, palpitações aumento do funcionamento do intestino, insônia procure o médico. O diagnóstico do hipertireoidismo é feito com a avaliação clínica aliada a dosagem dos hormônios no sangue. A depender da causa, o tratamento poderá ser feito com medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia.

Sobre a autora

Cintia Cercato é médica endocrinologista pela USP (Universidade de São Paulo), que se dedica à obesidade desde que defendeu doutorado nessa área em 2004. É a professora responsável por essa disciplina na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP, onde desenvolve várias pesquisas sobre o tema. Foi presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e atualmente é diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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Sobre o blog

Este é um espaço com conteúdos relevantes sobre controle do peso, dieta, estilo de vida e tratamento da obesidade. Todas as publicações têm como base a melhor evidência científica disponível, garantindo informações de credibilidade.

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